Leitura clínica
Comentário
Enzima obtida de Escherichia coli que rompe o aminoácido plasmático L-asparagina impedindo o crescimento das células malignas da leucemia que, ao contrário das células normais, não conseguem sintetizá-lo. Indicado no tratamento da Leucemia Linfoblástica aguda desde o período neonatal. Administração intravenosa ou intramuscular três vezes por semana. Na data da última atualização não encontramos dados publicados sobre sua excreção no leite materno. Seu elevado peso molecular torna muito improvável a excreção no leite materno. Sua baixa biodisponibilidade oral dificulta a passagem ao plasma do lactente a partir do leite materno ingerido pois, por sua natureza protéica, degrada-se no trato gastrointestinal, não sendo absorvida, salvo em prematuros e período neonatal imediato nos quais pode haver maior permeabilidade intestinal. Sabe-se pela Farmacocinética que passadas 3 meias-vidas de eliminação (T½) elimina-se do organismo 87,5% do fármaco; após 4 T½ 94%, após 5 T½ 96,9%, após 6 T½ 98,4% e após 7 T½ 99%. A partir de 7 T½ as concentrações plasmáticas de fármaco no organismo são desprezíveis. Em geral, um período de pelo menos cinco meias-vidas pode ser considerado um período de espera seguro para voltar a amamentar (Anderson 2016). Assumindo que possa passar ao leite e tomando como referência a T½ publicada mais longa (49 horas) de todos os metabolitos ativos, estes 5 T½ corresponderiam a 10 dias. Devido aos importantes efeitos adversos, seria recomendável esperar 7 T½ que corresponderiam a 15 dias. Enquanto isso, extrair e descartar o leite do peito regularmente. O caráter contínuo e longo dos ciclos torna muito difícil continuar com a amamentação. Quando for possível fazê-lo, as detecções no leite de cada paciente para determinar a eliminação total do fármaco seriam o melhor indicador para retomar a amamentação entre dois ciclos de quimioterapia. Durante o tratamento do câncer é necessário interromper a amamentação devido aos efeitos secundários potencialmente graves para o lactente. A quimioterapia não afeta a produção de leite nem durante o tratamento nem posteriormente. Um desmame abrupto pode ser psicologicamente traumático tanto para a mãe quanto para o lactente (Pistilli 2013). Se a mãe desejar, a produção de leite pode ser mantida mediante extração regular do peito, podendo recuperar a amamentação nos períodos em que no leite não permanecem vestígios significativos do fármaco (Anderson 2016) ou ao finalizar o tratamento (Pistilli 2013). Alguns quimioterápicos com efeito antibiótico podem alterar a composição da microbiota (conjunto de bactérias ou flora bacteriana) do leite e a concentração de algum de seus componentes (Urbaniak 2014). Possivelmente isto ocorre de forma transitória com recuperação posterior, sem que por isto se suponham nem se tenham publicado efeitos prejudiciais em lactentes amamentados. As mulheres em tratamento quimioterápico durante a gravidez têm menores taxas de amamentação por experimentarem dificuldades para amamentar (Stopenski 2017), necessitando mais apoio para consegui-lo. Dada a forte evidência que existe sobre os benefícios da amamentação para o desenvolvimento dos bebês e a saúde das mães, convém avaliar o risco-benefício de qualquer tratamento materno, incluindo a quimioterapia, aconselhando individualmente cada mãe que deseje seguir com a amamentação (Koren 2013). Pode consultar abaixo a informação destes produtos relacionados: Câncer materno, neoplasia materna (Pouco seguro. Efeitos adversos moderados/graves. Compatível em alguma circunstância. Acompanhamento recomendado. Usar alternativa mais segura ou interromper a amamentação por 5 a 7 meias-vidas (T½). Leia o comentário.) Pegaspargasa (Pouco seguro. Efeitos adversos moderados/graves. Compatível em alguma circunstância. Acompanhamento recomendado. Usar alternativa mais segura ou interromper a amamentação por 5 a 7 meias-vidas (T½). Leia o comentário.)
Encontrabilidade
Outros nomes e marcas
Sinônimos e grafias 8
- Asparagina Escherichia coli
- Colaspasa
- Crisantaspasa
- L-Asparagina Amidohidrolasa
- Аспарагиназа
- Asparaginassa
- アスパラギナーゼ
- L01XX02
Marcas comerciais na fonte 12
- Elspar
- Erwinase
- Erwinaze
- Kidrolase
- L-Aspase
- Laspar
- Leucoginase
- Leunase
- Leunase (左旋门冬酰胺酶)
- Onconase
- Paronal
- Spectrila
Dados da fonte
Farmacocinética
| Variável | Valor | Unidade |
|---|---|---|
| Biodisp. oral | 0 | % |
| Peso Molecular | 31.732 | daltons |
| Tmax | 14 - 24 | horas |
| T½ | 8 - 49 | horas |
Rastreabilidade
Bibliografia
- Stopenski S, Aslam A, Zhang X, Cardonick E. After Chemotherapy Treatment for Maternal Cancer During Pregnancy, Is Breastfeeding Possible? Breastfeed Med. 2017 Mar;12:91-97. Resumen
- Anderson PO. Cancer Chemotherapy. Breastfeed Med. 2016 May;11:164-5. Resumen Texto completo (enlace a fuente original) Texto completo (en nuestros servidores)
- Urbaniak C, McMillan A, Angelini M, Gloor GB, Sumarah M, Burton JP, Reid G. Effect of chemotherapy on the microbiota and metabolome of human milk, a case report. Microbiome. 2014 Jul 11;2:24. Resumen Texto completo (enlace a fuente original) Texto completo (en nuestros servidores)
- Pistilli B, Bellettini G, Giovannetti E, Codacci-Pisanelli G, Azim HA Jr, Benedetti G, Sarno MA, Peccatori FA. Chemotherapy, targeted agents, antiemetics and growth-factors in human milk: how should we counsel cancer patients about breastfeeding? Cancer Treat Rev. 2013 May;39(3):207-11. Resumen
- Koren G, Carey N, Gagnon R, Maxwell C, Nulman I, Senikas V; Society of Obstetricians and Gynaecologists of Canada. Cancer chemotherapy and pregnancy. J Obstet Gynaecol Can. 2013 Mar;35(3):263-278. Resumen Texto completo (enlace a fuente original) Texto completo (en nuestros servidores)
- Jazz Pharm. Asparaginase. Drug Summary. 2009 Texto completo (en nuestros servidores)
- FDA. EUSA Pharm. Asparaginase. Data Sheet 2009 Texto completo (en nuestros servidores)