Leitura clínica
Comentário
A hipergalactia ou hiperlactação é a produção excessiva de leite materno, com um volume superior ao necessário para que o lactente cresça normalmente. Pode haver desconforto físico e social, plenitude e dor no peito, gotejamento de leite frequente, obstrução de ductos, vasoespasmo e mastite. Os lactentes podem ter engasgos, rejeição do peito, ganho excessivo de peso ou perda de peso. Tudo isto pode acabar na interrupção da amamentação. As causas de hipergalactia podem ser devidas a hiperestimulação do peito, idiopáticas (de causa desconhecida) ou por hiperprolactinemia, devida ou não a prolactinomas. Não há provas de boa qualidade sobre qual é o melhor tratamento da hipergalactia. Recomendam-se as seguintes ações progressivas de forma escalonada (Johnson 2020, Trimeloni 2016): Dificultar a saída de leite: Amamentar em decúbito supino (deitada); utilizar conchas de proteção. Evitar a hiperestimulação (causada por extrações e/ou mamadas muito frequentes) amamentando de um único peito alternando com o outro em blocos horários de 3 a 6 horas. (van Veldhuizen 2007) Evitar a ingestão de galactogogos farmacológicos ou herbais (domperidona, metoclopramida, sulpirida, fenugreco…). Ingerir infusões de diversas plantas que tradicionalmente se prescrevem para reduzir a produção de leite como hortelã, sálvia, salsa, flores de jasmim, vitex. Tomar medicamentos que podem diminuir a produção de leite, como Pseudoefedrina 30 a 60 mg uma ou duas vezes ao dia ou anticoncepcionais combinados que contenham pelo menos 20 mg de estradiol. Tomar medicação dopaminérgica que inibe a prolactina: Cabergolina 0,25 mg, repetindo aos 3 dias se não houver melhoria; pode-se aumentar a 0,5 mg aos 3 dias. Bromocriptina 0,25 mg ao dia durante 3 dias. HIPERPROLACTINEMIA E PROLACTINOMAS. A amamentação materna não supõe um risco de crescimento de um prolactinoma, nem aumenta a recorrência de hiperprolactinemia, sejam ou não devidas a micro ou macro prolactinomas (Aguayo 2014, Auriemma 2013, Shahzad 2012, Bronstein 2005). A remissão de prolactinomas após a gravidez e a amamentação é frequente (Domingue 2014). Há consenso de sociedades expertas de que os prolactinomas, micro ou macro, não contraindicam a amamentação (Casanueva 2006). Se causarem sintomatologia de compressão podem ser tratados com agonistas dopaminérgicos. (Aguayo 2014) Está descrita amamentação exitosa e prolongada em mais de 30 casos de hipergalactia-prolactinoma-hiperprolactinemia tratados com uma dose diária de 2,5 a 5 mg de bromocriptina sem efeitos adversos nos lactentes. (Liu 2018, Verma 2006, Cheng 1996, Canales 1981, Peters 1985)
Encontrabilidade
Outros nomes e marcas
Sinônimos e grafias 1
- Hiperprolactinemia. Prolactinoma, adenoma Pituitario/Hipofisario
Rastreabilidade
Bibliografia
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