Leitura clínica
Comentário
A histamina existe naturalmente em nosso organismo. É produzida e armazenada em células gástricas, neurônios, nos grânulos dos mastócitos e basófilos e em outras células. É um neurotransmissor neuronal (Kovacova 2015) e um imunoestimulante que protege os linfócitos. (EMA 2013) É utilizada em dose única em determinadas provas diagnósticas e associada à interleucina II no tratamento de manutenção da leucemia mieloide aguda, em duas doses diárias por via subcutânea, em dez ciclos de 21 dias com descansos de 3 a 6 semanas. Na data da última atualização, não encontramos dados publicados sobre a excreção de histamina no leite materno. Seus dados farmacocinéticos (amplo volume de distribuição, meia-vida curta e pKa alcalino) tornam muito pouco provável a passagem de quantidades significativas para o leite materno. A histamina é eliminada rapidamente do plasma, com meia-vida de eliminação de entre 3 e 11 minutos segundo Hale 2017 p450 e Middleton 2002, e 0,75 a 1,5 horas segundo EMA 2013, sendo a depuração duas vezes mais rápida nas mulheres. (EMA 2013) O leite materno tem, além disso, o poder de degradar a histamina por conter, como fator anti-inflamatório, a enzima histaminase (Lawrence 2016 p183). Ou seja, o pouco que possa ter passado para o leite é destruído no próprio leite e não chegará ao lactente. Essa mesma enzima, a histaminase ou diamino-oxidase (DAO), presente no intestino delgado e cólon ascendente (e rim), destrói a histamina ingerida e normalmente impede sua passagem para o plasma em quantidade significativa. (Kovacova 2015, Kanny 1999) Assim, sua baixa biodisponibilidade oral dificulta a passagem para o plasma do lactente a partir do leite materno ingerido, salvo em prematuros e no período neonatal imediato, nos quais pode haver maior permeabilidade intestinal. Alguns autores especialistas consideram prudente esperar duas horas para amamentar após a exposição à histamina. (Hale 2017 p450) Pode consultar abaixo a informação deste grupo relacionado: ATC R06A: Anti-histamínicos de uso sistêmico
Encontrabilidade
Outros nomes e marcas
Sinônimos e grafias 6
- Difosfato de histamina. Fosfato de histamina
- Histamina. Dihidrocloruro de histamina
- Ισταμίνη υδροχλωρική
- Гистамина Гидрохлорид
- ヒスタミン二塩酸塩
- L03AX14; V04CG03
Marcas comerciais na fonte 3
- Ceplene
- Histatrol
- Soluprick
Dados da fonte
Farmacocinética
| Variável | Valor | Unidade |
|---|---|---|
| Biodisp. oral | bajo - poor | % |
| Peso Molecular | 184 | daltons |
| Vd | 0,77 - 1,1 | l/Kg |
| pKa | 9,58 | - |
| T½ | 0,05 - 1,5 | horas |
Rastreabilidade
Bibliografia
- Hale TW, Rowe HE. Medications & Mothers' Milk. A Manual of Lactation Pharmacology. Springer Publishing Company. 2017
- Lawrence RA, Lawrence RM. Breastfeeding. A guide for the medical profession. Eighth Edition. Philadelphia: Elsevier; 2016
- Kovacova-Hanuskova E, Buday T, Gavliakova S, Plevkova J. Histamine, histamine intoxication and intolerance. Allergol Immunopathol (Madr). 2015 Sep-Oct;43(5):498-506. Resumen
- EMA. Histamina (Ceplene). Drug Summary. 2013 Texto completo (en nuestros servidores)
- EMA. Histamina (Ceplene). Ficha técnica. 2013 Texto completo (en nuestros servidores)
- Middleton M, Sarno M, Agarwala SS, Glaspy J, Laurent A, McMasters K, Naredi P, O'Day S, Whitman E, Danson S, Cosford R, Gehlsen K. Pharmacokinetics of histamine dihydrochloride in healthy volunteers and cancer patients: implications for combined immunotherapy with interleukin-2. J Clin Pharmacol. 2002 Jul;42(7):774-81. Resumen
- Kanny G, Bauza T, Frémont S, Guillemin F, Blaise A, Daumas F, Cabanis JC, Nicolas JP, Moneret-Vautrin DA. Histamine content does not influence the tolerance of wine in normal subjects. Allerg Immunol (Paris). 1999 Feb;31(2):45-8. Resumen