Leitura clínica
Comentário
RESUMO: Avaliar de acordo com a patologia. Em geral, poucas doenças do bebê que mama contraindicam ou dificultam a amamentação. As crianças internadas em hospitais têm direito de permanecer com suas mães e, se puderem alimentar-se por via oral, o leite materno, direto ou extraído, é a melhor opção. -------------------------------------------------- A hospitalização do bebê que mama é um fator de risco para interrupção total ou parcial da amamentação materna exclusiva (Bochner 2020, Heilbronner 2017, Lapillonne 2013, Courtois 2010, Souza 2008, Quattrone 1995). As causas desse risco são o impacto emocional e a fadiga que causa em mãe e bebê, a situação clínica mais ou menos grave do bebê que mama, a desinformação materna e familiar e, sobretudo, as práticas hospitalares pouco favoráveis à amamentação materna (administração rotineira de mamadeiras, dificuldade para a permanência adequada e cômoda da mãe, ausência de protocolo específico) e a falta de conhecimentos sobre amamentação do pessoal de saúde (Heilbronner 2017, Courtois 2010, Souza 2008, Quattrone 1995). A companhia da mãe e a amamentação materna diminuem a ansiedade que o ambiente hospitalar causa no bebê. Amamentar produz analgesia em práticas invasivas como acessos venosos, análises, sondagens etc. (AEP 2018, CW 2019, ABA 2017, Costa 2016). Muitas vezes, as crianças doentes só toleram o peito da mãe, rejeitando o restante dos alimentos. O leite materno lhes fornece fatores imunológicos defensivos que as ajudam a combater uma infecção e fatores protetores do intestino, encurtando a duração da hospitalização (CW 2019, ABA 2017, Costa 2016, Courtois 2010). Nesses casos em especial, o leite materno é tanto alimento quanto medicamento (CW 2019). “As crianças hospitalizadas têm direito a estar acompanhadas por seus pais ou pela pessoa que os substitua pelo máximo tempo possível durante sua permanência no hospital, não como espectadores passivos, mas como elementos ativos da vida hospitalar” (Carta europea de los niños hospitalizados, Parlamento Europeo 1986). Há muita variabilidade entre hospitais nas práticas relacionadas às internações de bebês amamentados e algumas não são as mais adequadas (Bochner 2020, Heilbronner 2017, Courtois 2010). Deve-se facilitar a permanência conjunta da mãe no mesmo quarto ou, se a situação clínica não permitir, facilitar-lhe um quarto próximo e comodidades para que esteja em condições de amamentar ou de poder extrair leite para seu bebê (Lawrence 2016 p517).. A formação em amamentação deve constar no currículo de todo o pessoal de saúde que trabalhe em unidades pediátricas (Meek 2017). É desejável que o hospital tenha pessoal instruído em amamentação e em extração manual ou mecânica de leite materno e ofereça os meios adequados à mãe. Caso contrário, a mãe deverá ter conhecimentos e meios próprios para a extração (ABA 2017). O leite materno extraído deve ser etiquetado com data antes de congelá-lo e armazená-lo (CW 2019). Convém que todo o pessoal (médicos, enfermeiras) saiba que a mãe está amamentando a criança internada e o tipo de amamentação, exclusiva ou parcial-mista (ABA 2017). Sempre que a doença do bebê que mama internado permitir a alimentação por via oral, a amamentação materna direta ou com leite materno extraído e administrado é a melhor opção (Lawrence 2016, Costa 2016). Se a mãe não puder amamentar, seja por impedimento do hospital para a internação conjunta, seja pela situação clínica do bebê, convém que extraia leite frequentemente para evitar problemas na mama (retenção, mastite), manter a produção e ter leite disponível para seu bebê, congelando-o se for preciso (CHP 2018). Em geral, poucas doenças do bebê que mama hospitalizado impedem a amamentação, ou apenas de modo temporário até que a situação clínica melhore. É preciso fazer uma avaliação individual de acordo com a doença e, dia a dia, conforme a evolução. As doenças respiratórias (bronquiolite, pneumonia), exceto dificuldade respiratória extrema, vão permitir a amamentação com mamadas curtas e pausas frequentes ou a administração de leite materno por sonda nasogástrica (Costa 2016). Se o bebê que mama for submetido a intervenção cirúrgica, pode mamar no peito até 3 a 4 horas antes da anestesia. Tempos maiores de jejum não são necessários, já que o leite materno é digerido antes desse tempo, não interferindo na anestesia e tranquilizando o bebê que mama (ABA 2017, Costa 2016). A maioria das intervenções cirúrgicas permite a amamentação assim que o bebê esteja acordado; requer uma avaliação individual conforme o tipo de operação e de doença (CW 2019, ABA 2017). Durante a hospitalização, a mãe pode notar diminuição da produção de leite. O normal é que a volta para casa e o bebê curado consigam recuperar a amamentação anterior à hospitalização (ABA 2017). É instrutiva a leitura de folhetos e guias de diversos hospitais e sociedades pediátricas (CW 2019, AEP 2018, CHP 2018, ABA 2017, Costa 2016). Você pode consultar abaixo as informações destes produtos relacionados: Jejum pré-operatório (Bastante seguro. Efeitos adversos leves ou pouco prováveis. Compatível em determinadas circunstâncias. Acompanhamento recomendado. Leia o Comentário.) Intervenção cirúrgica do bebê que mama (Bastante seguro. Efeitos adversos leves ou pouco prováveis. Compatível em determinadas circunstâncias. Acompanhamento recomendado. Leia o Comentário.)
Rastreabilidade
Bibliografia
- Bochner RE, Kuroki R, Lui K, Russell CJ, Rackovsky E, Piper L, Ban K, Yang K, Mandal P, Mackintosh L, Mirzaian CB, Gross E. Variations in Care for Breastfed Infants Admitted to US Children's Hospitals: A Multicenter Survey of Inpatient Providers. Hosp Pediatr. 2020 Jan;10(1):70-75. Resumen
- CW - Children´ Wisconsin. Breastfeeding your hospitalized child. Breastfeeding support. 2019 Texto completo (enlace a fuente original) Texto completo (en nuestros servidores)
- CHP - Children Hospital of Philadelphia. Maintaining Your Milk Supply While Baby Is Hospitalized. Fact sheet. 2018 Texto completo (enlace a fuente original) Texto completo (en nuestros servidores)
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- ABA - Australian Breastfeeding Association. Breastfeeding and hospitalization. 2017 Texto completo (enlace a fuente original) Texto completo (en nuestros servidores)
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