Leitura clínica
Comentário
A histamina existe naturalmente em nosso organismo. É produzida e armazenada em células gástricas, neurônios, nos grânulos dos mastócitos e basófilos e em outras células. É um neurotransmissor neuronal e um imunoestimulante (Kovacova 2015). Com certos estímulos (frio, calor, trauma, vibração, exercício intenso, relações sexuais, álcool e certos alimentos) os mastócitos eliminam histamina no plasma sanguíneo, provocando sintomas de reação alérgica (Maurer 2008). Certos alimentos são ricos naturalmente em histamina; em outros, a histamina é produzida por um processo de fermentação (queijos, vinho, cerveja, iogurte...) ou por contaminação/putrefação de peixe ou carne (Visciano 2014). Uma alergia a mariscos ou outros alimentos, provoca uma liberação endógena exagerada de histamina por degranulação dos mastócitos do organismo e provoca sintomas locais conhecidos como urticária: rubor, inflamação, inchaço, pápulas, calor, dor e coceira. Embora a maioria das reações alérgicas fiquem em uma urticária, algumas podem chegar a dar um quadro grave de anafilaxia-choque: broncocconstricção, dificuldade respiratória, cefaleia, hipotensão, vômitos-diarreia... Um excesso de alimentos ricos em histamina ou o consumo de peixe (Visciano 2014) ou outro alimento em más condições podem causar sintomas similares aos de uma reação alérgica (Wantke 1993). Na data da última atualização não encontramos dados publicados sobre a excreção de histamina no leite materno. A maior parte da histamina interna que se libere em uma reação alérgica não está circulando em plasma, já que se fixa nos tecidos que inflama, provocando os sintomas de rubor, coceira, etc. Logo, é improvável que passe para o leite materno em quantidade significativa. Se o que ocorreu não é uma reação alérgica mas um consumo excessivo de alimentos ricos em histamina ou um consumo de alimentos em má condição (com excesso de histamina), apesar dos mecanismos intestinais que freiam sua absorção, pode incrementar-se a concentração de histamina em plasma. A histamina é eliminada rapidamente do plasma, com uma meia-vida de eliminação de entre 3 e 11 minutos (Hale 2017 p 450, Middleton 2002) e 0,75 a 1,5 horas (EMA 2013), sendo a depuração duas vezes mais rápida nas mulheres (EMA 2013). O leite materno tem o poder de degradar a histamina por conter como fator anti-inflamatório a enzima histaminase (Lawrence 2016 p183). Ou seja, que o pouco que possa ter passado para o leite será destruído no próprio leite e não chegará ao lactente. Essa mesma enzima, a histaminase ou diaminoxidase (DAO), presente no intestino delgado e cólon ascendente (e rim), destrói a histamina ingerida e impede normalmente sua passagem para o plasma em quantidade significativa (Kovacova 2015, Kanny 1999). Os lactentes estariam assim protegidos de um possível excesso de histamina no leite materno, exceto talvez em caso de prematuros e durante o período neonatal por imaturidade dos sistemas intestinal e renal. Exceto um caso publicado de uma reação alérgica leve em um recém-nascido de 12 dias após mamar uma hora depois de que a mãe foi picada no lábio por uma abelha que lhe provocou uma reação extensa na face (Kaya 2012), não há nenhuma publicação que relacione uma urticária ou outra reação alérgica materna com problemas no lactente. Autores especialistas consideram compatível a amamentação com doenças nas quais há grande liberação de histamina: urticária, mastocitose e inclusive doenças ou síndromes pruriginosos da gravidez (Lawrence 2016 p617). Alguns consideram prudente esperar para amamentar duas horas após a exposição (Hale 2017 p450) ou até ter tomado um anti-histamínico. Os medicamentos para tratar uma reação alérgica são compatíveis com a amamentação: anti-histamínicos (escolhendo os que produzem nula ou escassa sedação: Lawlor 2014), adrenalina e, embora frequentemente mal empregados, corticoides. A reação alérgica materna provocada pelo aleitamento é uma entidade muito rara; não ocasiona problemas no lactente mas precisa da administração de anti-histamínicos à mãe e, se a reação é grave (anafilaxia por amamentação), há necessidade de interromper a amamentação (Durgakeri 2015, McKinney 2011, Shank 2009, Villalta 2007). Pode consultar abaixo a informação destes produtos relacionados: Hidrocloreto de Histamina (Produto seguro e / ou a amamentação é a melhor opção.) Picada / mordida de artrópodes (Produto seguro e / ou a amamentação é a melhor opção.) Pode consultar abaixo a informação deste grupo relacionado: ATC R06A: Anti-histamínicos de uso sistêmico
Encontrabilidade
Outros nomes e marcas
Sinônimos e grafias 10
- Anafilaxia
- Anafilaxia por lactancia
- Intoxicación alimentaria por histamina
- Intoxicación histamínica por pescado
- Urticaria, ronchas, habones
- Αλλεργική αντίδραση
- Αναφυλαξία
- Ισταμίνη τροφική δηλητηρίαση
- Ισταμίνη δημητηρίαση από ψάρι
- Κνίδωση, εξάνθημα,
Rastreabilidade
Bibliografia
- Hale TW, Rowe HE. Medications & Mothers' Milk. A Manual of Lactation Pharmacology. Springer Publishing Company. 2017
- Lawrence RA, Lawrence RM. Breastfeeding. A guide for the medical profession. Eighth Edition. Philadelphia: Elsevier; 2016
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